• Sabrina Wertzner

É seguro usar adoçantes artificiais?



Já falamos sobre os muitos fatores que se relacionam a obesidade e uma pincelada sobre as modificações dietéticas realizadas para promoção da perda de peso.

Diversas associações negativas a saúde têm sido feitas com relação a ingestão de açúcar (sacarose), e a adoção de edulcorantes (adoçantes) vem se mostrado uma alternativa promissora deste carboidrato, já sendo consumido por cerca de 30% da população estudada.

Os edulcorantes podem chegar a ter um potencial adoçante de até 700 vezes maior que o açúcar, o que lhes permite ser amplamente utilizados na indústria alimentícia, especialmente na formulação de produtos diet/light.

Esse uso excessivo trouxe, há algumas décadas, questões sobre sua segurança alimentar, especialmente com relação as quantidades máximas consideradas seguras para a saúde.

No Brasil, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou 7 tipos de adoçantes para o consumo humano: sacarina, aspartame, acessulfame-k, sucralose, neotame, estévia e ciclamato.

A revisão sistemática realizada por Shankar, Ahuja e Sriram (2013) estabeleceu informações científicas sobre os adoçantes artificiais e as recomendações de segurança recomendadas pela FDA.

Verificou-se, portanto:

- Apesar das agências reguladoras apresentarem estes como aditivos seguros a saúde ainda falta muita informação e estudos que comprovem sua real segurança;

- As informações dispostas são contraditórias, e dependem da causa, investimento, indústria envolvida e agência regulamentadora que dispõe as informações.

- Consumidores não têm informações suficientemente adequadas sobre os edulcorantes;

- Ainda não é possível afirmar que sejam benéficos no sentido de reduzir o peso corporal ou eliminar os fatores de risco cardiometabólicos;

- Apesar de soar como senso comum que o uso dos edulcorantes promova a perda de peso, e que as evidências de maior IMC em crianças e adolescentes têm sido relacionadas ao uso de adoçantes, é precipitado e enviesado concluir que este seja o único fator influenciador no ganho ou perda de peso;

- Os adoçantes podem provocar o efeito adverso de ser laxativo, mas a FDA não considera isso tóxico.

Após todas essas informações e lembrando do post ‘’são muitos fatores!’’, pode-se reafirmar que a obesidade, por ser uma doença multifatorial, não pode ser simplesmente associada ao consumo de açúcar, edulcorantes e variações.

Ainda muitos estudos são necessário para assegurar a segurança dos edulcorantes, sendo de suma importância que você, ao consumí-lo, seja protagonista em suas escolhas - e que estas sejam também orientadas por um nutricionista e/ou um médico - e verifique a composição e possíveis alergênicos no produto, e note se causam algum desconforto ou sintoma relacionado a alergias ou intolerâncias.

Abaixo se encontra uma tabela resumida sobre os edulcorantes citados no artigo:


SHANKAR, Padmini; AHUJA, Suman; SRIRAM, Krishnan. Non-nutritive sweeteners: Review and update. Nutrition, [s.l.], v. 29, n. 11-12, p.1293-1299, nov. 2013. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.nut.2013.03.024.

ABIAD (Brasil). ABIAD lança cartilha que esclarece dúvidas sobre adoçantes. 2011. Disponível em: <http://www.abiad.org.br/index.php/noticias/83-abiad-lanca-cartilha-queesclarece-duvidas-sobre-adocantes>. Acesso em: 08 nov. 2016.

ABIAD (Brasil). Cálculo do Índice de Ingestão Diária de Adoçantes. [n.i.]. Disponível em: <http://www.abiad.org.br/index.php/clique-aqui-e-saiba-quanto-voce-pode-consumir-por-dia>. Acesso em: 08 nov. 2016.

SILVIA RAMOS (Brasil). Adoçantes. [n.i.]. Disponível em: <http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:F731vHDaJg4J:www.diabetes.org.br/noticias-nutricao/1312-adocantes+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br>. Acesso em: 08 nov. 2016.

CUPPARI, Lilian et al. Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar da EPM – UNIFESP - Nutrição Clínica no Adulto. 3 ed. Barueri: Manole, 2015. 578 p.

ROSS, Catharine A. Nutrição Moderna de Shils na Saúde e na Doença. 11 ed. Barueri: Manole, 2016. 1.642 p.

BRASIL. INMETRO. . Tabela 8 – Edulcorantes e suas Características. Brasil, [n.i.]. Color. Disponível em: <http://www.inmetro.gov.br/consumidor/produtos/adocantes.pdf.>. Acesso em: 09 nov. 2016.

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