• Isis Stelmo

Por que comer maçã dá fome?

Atualizado: 16 de Jul de 2019



Já ouvi muita gente reclamando que após comer maçã, ao invés da fome diminuir, ela aumenta! Com você também é assim?

Em 2015, foi publicado um estudo feito na Keck School of Medicine, na University of Southern California que pode trazer uma possível resposta para este grande mistério. E este considera tanto questões comportamentais quanto fisiológicas.

Participaram desta pesquisa com ensaio randomizado, duplo-cego e cruzado, 24 pessoas saudáveis, com IMCs variados, as quais foram submetidas a duas sessões de Ressonância Magnética com ingestão de bebidas de frutose e glicose. Durante os exames de imagem, os participantes viam fotos de alimentos muito calóricos e fotos de outros objetos aleatórios. O nível sérico dos hormônios foi mensurado no início da sessão, com 30 minutos e 60 minutos após a ingestão das bebidas com frutose e glicose.

Constatou-se que, após a ingestão de frutose, os níveis de insulina (hormônio com atividade anorexígena, ou seja, reduz a sensação de fome) não se elevaram tanto comparados quando houve ingestão de glicose, isso porque os dois açúcares são utilizados de maneiras diferentes pelo organismo. Além disso, percebeu-se alta atividade cerebral estimulada pelas sugestões de comidas nas fotos.

Logo, o estudo concluiu que a frutose, comparada à glicose, levou os participantes a sentirem mais fome e maior desejo por comida, querendo obter recompensas rápidas com alimentos mais calóricos.

Mas o que tudo isso tem a ver com a maçã?

Fui pesquisar na tabela de frutose, disponível no site da ABESO, a quantidade desse tipo de açúcar na maçã e, surprise, surprise! A maçã com casca é uma das campeãs em quantidade de frutose, contendo em média 7,6!

Então, colega, você não está ficando maluco ou maluca ao pensar "Mas, poxa, eu acabei de comer essa maçã e parece que abriu um buraco no meu estômago!".

E eu espero que sua próxima refeição chegue logo para que você não fique com essa sensação por muito tempo ;-)

Referências:

Luoa S, Monterosso JR, Sarpelleha K, Page KA. Differential effects of fructose versus glucose on brain and appetitive responses to food cues and decisions for food rewards. PNAS, May 19, 2015. doi: http://www.pnas.org/content/112/20/6509

Quadro com a quantidade de frutose por 100 g de alimento: http://www.abeso.org.br/uploads/downloads/6/5521b04895900.pdf

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