• Sabrina Wertzner

Melatonina e as Dores de Cabeça


Anteriormente a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) impedia a comercialização de melatonina no país, uma vez que nunca havia sido avaliada em relação aos critérios de segurança e eficácia pela própria Agência.


Muuuuuuuito recentemente (26.10.2016) a justiça federal determinou que a ANVISA autorizasse a importação e comercialização do hormônio destinado a manipulação de medicamentos desde que cumpridos todos os requisitos legais referente à importação da substância, segundo informações da empresa Pharmaceutical Consultoria, que recebeu exclusividade para sua distribuição.

A melatonina é um hormônio secretado pela glândula pineal em períodos noturnos ou com baixa luminosidade.

Além do que já se sabia, tem sido enfatizado o envolvimento da melatonina em diversos processos fisiológicos, concernentes ao ciclo circadiano, ao desenvolvimento puberal e adaptações sazonais. Ela também está relacionada aos efeitos reguladores da atividade locomotora e a formação da memória. Sugere-se também que o hormônio esteja relacionado aos efeitos antidepressivos, anti-inflamatórios, ansiolíticos, antineofóbicos e antinocicepção (redução na capacidade de sentir a dor).

Interessante tem sido o uso da melatonina em tratamentos de diversas desordens, inclusive cefaleias primárias e enxaqueca.

Não se conhece ainda o exato mecanismo de ação da melatonina exógena nestes transtornos, mas já se sabe que existem receptores de melatonina no núcleo supraquiasmático do hipotálamo, sendo, portanto, possível a ação direta da melatonina exógena no hipotálamo.

Dada a grande variação nos níveis de evidência que suportam a eficácia da melatonina no tratamento destes distúrbios, Gelfand e Goadsby (2016) elaboraram um artigo de revisão narrativa que compilou os principais indícios a respeito deste tema.

Sugere-se que o benefício do uso deste hormônio exógeno possa ser mediado através do sono melhorado em alguns transtornos de cefaleia. Não apenas, propõe-se que as propriedades anti-inflamatórias e antinociceptivas da melatonina atuem no alívio da dor, que podem ser utilizadas com um papel terapêutico na prevenção da enxaqueca – embora os dados ainda sejam conflitantes.

Dados seus poucos efeitos adversos (cansaço diurno e tonturas), mesmo em doses elevadas, é possíveis admitir um perfil de segurança e tolerância no uso – sempre com indicação médica!

Ainda são necessários diversos estudos randomizados controlados para esclarecer os possíveis mecanismos subjacentes, estabelecer a dosagem e a formulação de melatonina ideais para o tratamento de cada tipo de cefaleia primária, mas já é possível ver um campo promissor no tratamento destes distúrbios.

GELFAND, Amy A.; GOADSBY, Peter J.. The Role of Melatonin in the Treatment of Primary Headache Disorders. Headache: The Journal of Head and Face Pain, [s.l.], v. 56, n. 8, p.1257-1266, 17 jun. 2016. Wiley-Blackwell. http://dx.doi.org/10.1111/head.12862.

EMET, Mucahit et al. A Review of Melatonin, Its Receptors and Drugs. The Eurasian Journal Of Medicine, [s.l.], v. 48, n. 2, p.135-141, 22 jul. 2016. AVES Publishing Co.. http://dx.doi.org/10.5152/eurasianjmed.2015.0267.

PHARMACEUTICAL CONSULTORIA. Melatonina liberada para Farmácias de Manipulação no Brasil. Disponível em: <http://www.pharmaceutical.com.br/noticias/melatonina-liberada-para-farmacias-de-manipulacao-no-brasil-pela-active-pharmaceutica.html>. Acesso em: 13 nov. 2016.

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