• Fernanda Ramos

O polêmico óleo de coco

Atualizado: 14 de Jul de 2019


Faz bem ou faz mal? É tudo isso que a gente ouve falar? A resposta é: depende!

Pra começar o tema, precisamos ter algumas coisas estabelecidas: o óleo de coco é uma gordura saturada (92%), na maior parte de ácidos graxos de cadeia média e é composto por ácido láurico e mirístico principalmente; uma colher de sopa, que corresponde a 15g, contém 132 calorias; o tipo de extração, como no azeite, determina a presença e qualidade de substâncias com ação benéfica, como os compostos fenólicos.

Dito isto, vamos entender suas propriedades!

Recentemente, a literatura tem sugerido que o óleo de coco, especialmente o virgem e extravirgem, pode reduzir o colesterol plasmático, a pressão arterial e controlar os níveis de glicose sanguíneos.

Também tem sido conferidas propriedades antimicrobianas e antibacterianas ao óleo de coco, devido ao ácido láurico e compostos fenólicos presentes nele. Uma outra propriedade é a modulação da proliferação das células imunes, acionada pelo ácido láurico.


Embora o óleo de coco tenha composição principal de gordura saturada, que tem efeitos relatados em outro post sobre gordura saturada e saúde cardiovascular, evidências sugerem que ele pode não ter efeitos negativos nos lipídios plasmáticos e, que no que se refere ao risco cardiovascular, está no mesmo patamar das outras gorduras, ou seja, o excesso de consumo e não o consumo em si, como publicado numa revisão sistemática desse ano.

Quando usado no preparo de alimentos, o cuidado está em não reaquecer o óleo e não mantê-lo em altas temperaturas, já que o ponto de fusão do óleo de coco é baixo, com o intuito de não formar aminas heterocíclicas aromáticas, sabidamente carcinogênicas e com potencial mutagênico.

Na perda de peso não há nenhum estudo publicado até o momento que comprove o efeito do óleo de coco e se há algum mecanismo fisiológico para essa ação. A ABESO e a SBEM publicaram recentemente um documento posicionando-se contra o uso desse óleo para este fim. Então #ficaadica, não acredita em dieta da moda não! ;)

Pra concluir, o óleo de coco parece não ser tão ruim quanto se pensava, mas também não há dados científicos consistentes que suportem sua superioridade em detrimento dos outros tipos de óleo nem a quantidade ideal para os efeitos relatados. E, embora ele tenha propriedades interessantes, não significa que a gente vai sair usando óleo de coco em tudo agora, porque é sempre bom lembrar que não é um alimento, é todo um estilo de vida que determina os processos de saúde/doença das doenças crônicas.

Referências

ABESO & SBEM. Posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) sobre o uso do óleo de coco para perda de peso. 2015

Fernando WM, Martins IJ, Goozee KG, Brennan CS, Jayasena V, Martins RN. The role of dietary coconut for the prevention and treatment of Alzheimer’s disease: potential mechanisms of action. British Journal of Nutrition. 2015, 114; 1–14

Srivastava S, Singh M, George J, Bhui K, Saxena AM, Shukla Y. Genotoxic and carcinogenic risks associated with the dietary consumption of repeatedly heated coconut oil. British Journal of Nutrition. 2010, 104; 1343–1352

Eyres L, Eyres F, Chisholm A, Brown RC. Coconut oil consumption and cardiovascular risk factors in humans. Nutrition Reviews. 2016

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