• Fernanda Ramos

Vivemos num mundo ANSIOSO!


Em fevereiro desse ano a OMS publicou o documento ‘Depression and other common


mental health disorders’ com um dado alarmante: o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade do mundo! 9,3% dos brasileiros tem algum transtorno de ansiedade!

Em 10 anos, observou-se aumento de 15% no número de pessoas com transtorno de ansiedade no mundo e a prevalência mundial ficou em 3,6% no último levantamento.

Por outro lado, nas reportagens disponíveis sobre a publicação, observa-se uma triste constatação: o problema ainda é subestimado e não é difícil encontrar manifestações como “é frescura” ou “não tenho tempo para ter essas coisas”.

Resultado: a gente precisa entender sobre ansiedade! Com urgência!

Não é frescura, não é tempo sobrando, não é necessidade de atenção! Ansiedade é coisa séria, causa sofrimento nas pessoas e precisa ser tratada adequadamente!

A ansiedade é uma adaptação natural do organismo a situações que gerem estresse e que representem perigo. É a sensação decorrente da excessiva excitação do sistema nervoso central para estimular o corpo a ação. E se, por um lado ela pode ser usada para canalizar força extra para enfrentar os desafios do dia a dia, por outro ela pode ser doença quando se torna difícil de lidar e afeta o dia a dia e os relacionamentos da pessoa.

Estar/ser ansioso significa ter dificuldade de concentração, problemas no sono e preocupação excessiva. Os pensamentos ficam acelerados e a falta de capacidade de gerar soluções acaba gerando mais ansiedade. Sentimentos de angústia e frustração também são comuns e há ainda os sintomas físicos, como taquicardia e cefaleia.

Ter transtorno de ansiedade é viver constantemente sob tensão.

Você já imaginou viver assim?


As causas são diversas e na verdade é uma colcha de retalhos, atuando de forma conjunta para criar o cenário. A combinação da situação socioeconômica e realidade da vida, a pobreza, a desigualdade, questões de relacionamentos, excesso de demanda, pressões exercidas pelos padrões sociais, dificuldades de enfrentar situações desconhecidas, estilo de vida nas grandes cidades são alguns fatores. O excesso de informação a que estamos sujeitos com os avanços da tecnologia também contribuem.

É possível perceber essas relações quando observamos os resultados de um outro estudo da OMS, realizado em São Paulo, chamado ‘São Paulo Megacity Mental Health Survey’. Nele foi encontrado que 29,6% dos paulistanos e moradores da região metropolitana sofrem de algum distúrbio de ansiedade. 1/3 da população estudada!

As pessoas estão adoecendo mais e é preciso dar atenção a isso, desde o olhar cuidadoso aos sintomas até a compreensão do que a pessoa ansiosa vive, sem julgamentos, sem aconselhamentos rasos como “você precisa se acalmar”.

O ansioso precisa dar voz e espaço às suas angústias, encontrar as razões do disparo dos sintomas e desenvolver estratégias de enfrentamento e para isso é necessária a ajuda de um profissional de saúde mental, que guiará o processo de forma adequada, como também das pessoas próximas.

Referências

Nações Unidas. OMS registra aumento de casos de depressão em todo o mundo; no Brasil são 11,5 milhões de pessoas. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/oms-registra-aumento-de-casos-de-depressao-em-todo-o-mundo-no-brasil-sao-115-milhoes-de-pessoas/> Acesso em 14 de abril de 2017

OMS. Depression and Other Common Mental Disorders Global Health Estimates. Genebra, 2017.

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