• Sabrina Wertzner

Síndrome de Realimentação


A Síndrome de Realimentação foi inicialmente descrita por Keys et al. (1950) em um estudo com homens saudáveis durante a Segunda Guerra Mundial que foram submetidos à baixíssima alimentação, mantendo-os famintos (starvation), por 6 meses.

Após este período, os indivíduos receberam reposição nutricional, observando-se, então, falência cardíaca em uma série deles.

Resultados clínicos similares foram verificados ao introduzir uma ingesta normal em prisioneiros de Campos de Concentração no Holocausto.

Ao longo dos anos, muitos estudos foram conduzidos em pessoas gravemente subnutridas, especialmente em ambientes hospitalares. Verificaram que a suplementação nutricional agressiva - especialmente com carboidratos - desencadeava anormalidades cardíacas, neurológicas, hematológicas, insuficiência pulmonar, hipofosfatemia grave, hipocalemia e hipomagnesemia - ainda que com a suplementação exacerbada dos minerais.

Atualmente, a Síndrome de Realimentação é definida como uma cascata de alterações metabólicas que ocorrem como resultado da reposição nutricional inadequada - seja ela oral, enteral ou parenteral - em indivíduos gravemente desnutridos.

Um estudo realizado por Kraft, Btaiche e Sacks (2005) verificou que a incidência diverge de acordo com as séries e critérios diagnósticos utilizados, variando entre 25% e 93% dentre os estudos analisados.

E como se dá a Síndrome de Realimentação?

No período inicial da alimentação insuficiente ou jejum (nas primeiras 24 a 72 horas), o fígado usa os estoques de glicogênio para fornecimento energético e o músculo esquelético provê aminoácidos como nova fonte de produção de glicose para os tecidos dependentes deste substrato. Após este período, ocorre uma mudança na rota de obtenção de energia por meio da produção de corpos cetônicos a partir da oxidação de ácidos graxos, que atravessam a barreira hematoencefálica, poupando, portanto, a mobilização proteica.

Ainda durante esse processo adaptativo ocorre uma série de mudanças hormonais para preservar as funções vitais. Ocorre também queda na taxa de metabolismo basal.

O jejum culmina em redução de massa celular e aumento da água extracelular. Apesar dos valores plasmáticos dos eletrólitos manterem-se dentro da normalidade, seu conteúdo corporal total está diminuído.

Assim, a pode-se verificar que com a instalação da síndrome ocorrem mudanças metabólicas e fisiológicas, e quando a energia é reintroduzida, provoca-se um aumento da secreção de insulina favorecendo anabolismo e a entrada de certos elementos (fósforo, de potássio e de magnésio) nas células, causando uma diminuição das concentrações plasmáticas.

Existe Prevenção?

Sim! A regra de ouro é ''começar de baixo e progredir lentamente''. O suporte nutricional evoluirá de forma gradativa, com cerca de 25% de meta estimada no primeiro dia, visando atingir o objetivo terapêutico ao longo de 3-5 dias. Quaisquer alterações eletrolíticas devem ser corrigidas antes do início do suporte nutricional.

Os pacientes devem ser cautelosamente monitorizados: sinais vitais, frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória, estado mental e função neurológica. Deve-se atentar também para o equilíbrio de fluidos.

Aproveitando ao que se deveu os estudos voltados a este tema, vale ressaltar a importância da lembrança Holocausto, e o que a violência contra comunidades com base na etnia, esfera social, orientação sexual, crença religiosa, ideológica e política pode causar, a fim de ajudar a prevenir outros atos de genocídio.

Dia 27 de Janeiro foi designado pela ONU ao Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, voltado à lembrança das vítimas do Holocausto, o genocídio realizado pelo regime nazista que eliminou seis milhões de judeus, dois milhões de ciganos, quinze mil homossexuais e milhões de cidadãos europeus durante a Segunda Guerra Mundial.

Faço então um convite a você, nosso leitor, para participar do Ato Nacional em Memória às Vítimas do Holocausto que ocorrerá neste domingo, 29, em São Paulo.

KEYS, Ancel et al. The Biology of Human Starvation. Minneapolis: University Of Minnesota Press, 1950. 1385 p.

KRAFT, Michael D.; BTAICHE, Imad F.; SACKS, Gordon S.. Review of the Refeeding Syndrome. Nutrition In Clinical Practice, [s.l.], v. 20, n. 6, p.625-633, dez. 2005. SAGE Publications. http://dx.doi.org/10.1177/0115426505020006625.

LÓPEZ, M.t. Fernández et al. Síndrome de realimentación. Farmacia Hospitalaria, [s.l.], v. 33, n. 4, p.183-193, jul. 2009. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/s1130-6343(09)72163-4.

ONU BR. Dias e Semanas Internacionais: Janeiro. 2016. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/calendario/dias-e-semanas/>. Acesso em: 25 jan. 2017.

UNITED STATES HOLOCAUST MEMORIAL MUSEUM. O Holocausto. Disponível em: <https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10005143#related>. Acesso em: 25 jan. 2017.

#SíndromedeRealimentação #Starvation #SegundaGuerraMundial #Holocausto

24 visualizações