• Isis Stelmo

Não é mais só a obesidade...


Há muito se vem discutindo o uso do Índice de Massa Corpórea (IMC= Kg/m²) como parâmetro para saber se uma pessoa está eutrófica (18,5 a 24,99Kg/m²) ou com excesso de peso (25 a 29,99 Kg/m² sobrepeso e obesidade acima de 30Kg/m²) (OMS).

Apesar de ser um procedimento barato e fácil de se aplicar, tem suas limitações, assim como todos os métodos.

O IMC não mede a quantidade dos tipos de tecidos corpóreos, por exemplo. Eu resultado não traz as quantidades de músculo, gordura e ossos de um indivíduo, por isso não é indicado seu uso isolado, principalmente para atletas. E, para a coletividade sadia, também é interessante que haja outras formas de avaliação nutricional e antropométrica.

Contudo, um estudo recém-publicado no periódico Frontier for Public Health sugere que se mude o foco no peso dos indivíduos para a quantidade corporal de gordura destes, pois acredita-se que mesmo a pessoa sendo considerada eutrófica pelo IMC (e/ou magra de acordo com os padrões impostos pela sociedade), se sua quantidade de gordura corporal for excessiva terá riscos semelhantes aos associados a um indivíduo obeso.

Recomenda-se que a circunferência da cintura não seja maior do que a metade da altura.



As possíveis consequências adversas desencadeadas pelo excesso de gordura corporal (BFP- Body Fat Proportion) seriam: aumento da glicemia e do triglicérides, baixo colesterol HDL e alto LDL; aumento da pressão arterial, maior chance de desenvolver síndrome metabólica, junto com diabetes tipo 2, doenças cardioavasculares e outras doenças crônicas, elevando, assim, a mortalidade.

- Os resultados dessa pesquisa apontam que há muito mais pessoas com excesso de gordura do que com sobrepeso e obesidade;

- Em alguns países, como os EUA, Islândia, Grécia e Nova Zelândia, o número de adultos homens com excesso de gordura corporal atinge 90% e entre a população infantil, 50%;

- Apesar de a taxa de indivíduos obesos mostrar tendência a ficar estática nos EUA, por exemplo, a proporção de indivíduos com excesso de gordura tende a crescer.

Pesquisas como essa são importantes para a criação de novas políticas públicas visando o tratamento e prevenção desses indivíduos integralmente, de preferência, de maneira intersetorial, envolvendo saúde, educação, segurança, etc.

Permite-nos a reflexão também que a modernidade nos oferece uma vida muito sedentária, há pouco incentivo para prática de esportes ou outras modalidades, dependendo do lugar onde se vive: ou é caro, ou de baixa qualidade, o ambiente não é adequado, inseguro, ou as pessoas não têm instrução...

Finalmente, às vezes outras questões precisam ser cuidadas antes de se chegar a alimentação e a prática de atividade física, propriamente ditas e precisamos olhar para os indivíduos em suas singularidades para que as ações sejam eficazes.

Referências:

Maffetone, PB; Rivera-Dominguez, I; Laursen, PB. Overfat Adults and Children in Developed Countries: The Public Health Importance of Identifying Excess Body Fat. Front. Public Health, 24 July 2017 | https://doi.org/10.3389/fpubh.2017.00190

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