• Fernanda Ramos

Como mudanças na alimentação podem influenciar na mortalidade?


Não é difícil pensar que há uma relação entre alimentação saudável e risco de doenças, considerando que a alimentação pode atuar como fator protetor para algumas doenças crônicas e também como adjuvante no tratamento delas.

Mas a ciência foi além disso. Estudos mais recentes tem demonstrado que padrões alimentares podem alterar desfechos de mortalidade.


Esses desfechos estão relacionados não apenas a manutenção de uma alimentação adequada durante a vida, mas também a melhorias nos padrões alimentares no decorrer dela; e que a piora no padrão alimentar é fator importante para mortalidade e complicações de saúde.

A outra coisa é que a análise do padrão da dieta tem sido uma alternativa melhor à análise de nutrientes ou alimentos isolados, considerando o sinergismo dos componentes da alimentação.

Como assim?

A partir de scores de qualidade de dieta observou-se alimentos em comum entre os padrões considerados mais adequados (dieta DASH, dieta Mediterrânea e dieta de prevenção cardiovascular), atentando-se ao fato de que a qualidade da alimentação é uma combinação de múltiplos componentes e não corresponde a um único padrão alimentar ideal.

Quais são os alimentos em comum para determinar alta qualidade da alimentação?

Observou-se nesses diferentes padrões alto consumo de legumes, verduras, frutas, oleaginosas (nozes e castanhas), grãos integrais e peixe, consumo reduzido de sódio e carne vermelha e consumo moderado de álcool (até 15g/etanol/dia).

Quais são os mecanismos?

São propostos como mecanismos ações sinérgicas de nutrientes como magnésio, fibras, potássio e flavonóides.

Quais os resultados encontrados?

Numa revisão sistemática publicada em 2015 e em um estudo longitudinal, publicado em 2017, que acompanhou participantes de 2 grandes estudos, o Nurses’ Health Study e o Health Professional Follow-up Study, durante 24 anos (total de 47.000 mulheres e 25.000 homens), encontrou-se alta qualidade da dieta associada a:

  • redução do risco de mortalidade por qualquer causa entre 8 a 22%, da mortalidade por doença cardiovascular entre 19 a 28% e de câncer colorretal.

  • redução da manifestação de diabetes tipo 2.

A melhora na qualidade da dieta no período de 12 anos foi associada a redução de risco de morte nos 12 anos subsequentes e a piora na qualidade da alimentação em 12 anos foi associada ao aumento do risco de mortalidade entre 6% a 12%.

Ou seja, antes tarde do que mais tarde! =P

Os estudos reforçam que melhorias moderadas na qualidade da dieta no decorrer do tempo podem diminuir significativamente o risco de morte e que essas mudanças não são radicais!

Pelo contrário! A inclusão/aumento do consumo de castanhas/nozes e legumes em uma única porção por dia e a redução do consumo de carne vermelha e carnes processadas já resulta em melhoria da alimentação.

Os autores reforçam ainda que os resultados não podem ser generalizados, já que a população avaliada foi somente a norte-americana.

Mas essas melhorias certamente não farão mal.

Sotos-Prieto M, Bhupathiraju SN, Mattei J, Fung TT, Li Y, et al. Association of Changes in Diet Quality with Total and Cause-Specific Mortality. N Engl J Med. 2017

Schwingshackl L, Hoffmann G. Diet quality as assessed by the Healthy Eating Index, the Alternate Healthy Eating Index, the Dietary Approaches to Stop Hypertension score, and health outcomes: a systematic review and meta-analysis of cohort studies. J Acad Nutr Diet. 2015


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