• Fernanda Ramos

Na saúde e na doença: GENGIBRE!


Se você já teve sintomas como náuseas, vômito, desconforto e dor abdominal é bastante provável que alguém já tenha falado: "isso melhora com gengibre!" junto de uma receita tradicional da família para solucionar a situação.

Tudo isso porque o gengibre é usado desde a Antiguidade como erva medicinal para tratar uma série desses sintomas, além de artrite, dores musculares e febre.

Toda essa fama do gengibre vinda principalmente da cultura popular estimulou, então, o desenvolvimento de estudos clínicos para verificar a sua eficácia enquanto terapia complementar, especialmente em náuseas e vômitos na gravidez, induzidos pela quimioterapia e em pós operatórios, e outros efeitos positivos para a saúde.


Por ser uma das ervas mais amplamente usadas no mundo todo, especialmente nas culturas orientais, o gengibre é usado de diversas formas: pode ser fresco, seco, cristalizado, em conserva, usado em doces, infusões ou mesmo em cápsulas.

O que já se sabe é que o gengibre é considerado seguro para consumo humano, que na sua composição estão presentes vários compostos bioativos e fitoquímicos, como compostos fenólicos e flavonóides e que a sua atividade farmacológica parece estar atribuída ao Gingeróis e shogaol (produto da desidratação de gingeóis). Também é evidente que a preparação e as etapas de processamento envolvidas alteram as concentrações dos compostos ativos.

Nos estudos até então publicados foram encontrados os seguintes resultados:

  • redução de vômitos entre os indivíduos em quimioterapia e em gestantes devido atuação a nível periférico da erva no trato gastrintestinal, aumentando a motilidade gástrica e, por consequência, o esvaziamento gástrico.

  • melhora da sensação de náusea em indivíduos em quimioterapia, em gestantes e em pós operatórios.

  • melhora da sensibilidade à insulina.

  • efeitos benéficos na pressão arterial e na função endotelial.

  • efeitos benéficos na obesidade e doenças cardiovasculares.

Todos esses efeitos são mediados através da regulação do metabolismo lipídico, modulação da secreção de insulina pelo pâncreas, inibição do estresse oxidativo, melhora da atividade anti-inflamatória e mecanismos hipotensivos e antiateroscleróticos.

Para o efeito nas náuseas e vômitos tem sido investigada a ação dos componentes do gengibre nos receptores de serotonina e receptores colinérgicos do sistema nervoso.

Os mecanismos fisiológicos não estão bem elucidados bem como a dose ideal e a melhor forma de consumo pra atingir tais resultados. Os estudos são distintos quanto as doses e quanto a amplitude dos resultados.

No entanto as evidências demonstram que o gengibre pode ser usado como tratamento complementar, como um método seguro, efetivo e barato, especialmente para náuseas e vômitos.

Lete and Allué. The effectiveness of ginger in the Prevention of nausea and vomiting during Pregnancy and chemotherapy. Integrative Medicine Insights. 2016.

Wang J, Ke W, Bao R, Hu X, Chen F.Beneficial effects of ginger Zingiber officinale Roscoe on obesity and metabolic syndrome: a review. Ann. N.Y. Acad. Sci. 2017.

Wang Y, Yu H, Zhang X, Feng Q, Guo X, Li S, Li R, Chu D, Ma Y. Evaluation of daily ginger consumption for the prevention of chronic diseases in adults: a cross-section study. Nutrition. 2016.


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