• Fernanda Ramos

Tratamentos alternativos para sintomas da menopausa


Com sintomas como ondas de calor e sudorese noturna (vasomotores), distúrbios do sono, redução de fertilidade, ciclos menstruais irregulares, secura vaginal, humor deprimido, esquecimento, dificuldade de concentração, sintomas de dor e mudanças nos sistemas esquelético e cardiovascular, o Período Menstrual Final, ou menopausa, apresenta sinais por pelo menos uma década antes e por muitos anos depois.

Metabolicamente, há cessação da produção hormonal dos ovários (estrogênio e progesterona) e há maior risco para síndrome metabólica devido às alterações fisiológicas no metabolismo de lipídeos e glicose. Há colesterol total, LDL e triglicérides mais elevados e níveis mais baixos de HDL em comparação com mulheres pré-menopáusicas. Pode ocorrer, ainda, aumento dos níveis de insulina em jejum e aumento da glicemia em jejum.

Historicamente, a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) foi considerada a mais eficaz no tratamento desses sintomas até os resultados do estudo Women’s Health Initiative (WHI), em 2002, mostrando efeitos colaterais nessa terapêutica, como aumento do risco para câncer de mama e doenças cardiovasculares.

Desde então, cada vez mais mulheres evitam fazer TRH e buscam terapias alternativas para os sintomas.

Assim, emergiram diversas terapias de Medicina Complementar e Alternativa, que, apesar da limitada informação sobre sua eficácia, tem ampla utilização no gerenciamento dos sintomas.

Dentre os compostos utilizados estão:


  • Isoflavonas:

Fitosteróis presentes na soja que tem afinidade pelos receptores β de estrogênio, com ação semelhante ao hormônio. Estão relacionados a taxas mais baixas de doenças cardiovasculares, mortalidade por câncer de mama e endométrio e sintomas vasomotores reduzidos na população japonesa.

A evidência científica, no entanto, é mista. Um estudo publicado em 2017 não encontrou diferença significativa nos sintomas com o uso de isoflavonas.

  • Equol:

Metabólito ativo da isoflavona daidzeína a partir da conversão realizada pelas bactérias intestinais.

Apenas 30 a 50% das mulheres tem bactérias capazes de gerar equol após a ingestão de soja. Essa variabilidade é atribuída a composição da microbiota intestinal e pode ser maior entre asiáticos e vegetarianos.

Entre as mulheres produtoras de equol, o alto consumo de soja contribuiu para a diminuição do número de ondas de calor e pareceu ser efetivo no alívio de dores musculares e em articulações no pós menopausa.

  • Cohosh preto:

Planta usada no alívio dos sintomas de ondas de calor, bem como para sintomas de humor e sono.

Uma revisão da Cochrane demonstrou que a planta isolada não teve efeitos significativos na redução da frequência das ondas de calor.

Quando associado a outras plantas (Rheum rhaponticum, casca de pinheiro marítimo francês, dong quai, trevo vermelho, ginseng, entre outros) parece haver efeitos positivos.

  • Resveratrol:

Flavonóide encontrado naturalmente em uvas que tem atividade cardioprotetora e antioxidante. Sua eficácia não está estabelecida pela sua baixa biodisponibilidade, ausência de dose adequada e o tempo de tratamento necessário.

  • Quercitina:

Flavonóide distribuído amplamente entre os vegetais. Possui capacidade antioxidante e anti-inflamatória. Pode atuar de forma sinérgica com o equol para combater o risco cardiovascular na menopausa.

  • Passiflora:

Tradicionalmente usada para distúrbios de humor e ansiedade, mediada pela modulação do sistema GABA, no sistema nervoso central. Sua ação, no entanto, não é corroborada pelos dados da literatura.

  • Casca de pinheiro marítimo francês:

Pode atuar como fitoestrógeno e diminuir a pressão arterial.

  • Rheum rhaponticum:

É um receptor de estrogênio β positivo que pode atuar nos sintomas de humor, dor, sono e ondas de calor.

Ginseng:

Pode ser benéfico para o bem-estar, humor e sono. Não parece ter benefícios para os sintomas vasomotores.

  • Dong quai (angelica sinensis):

Não demonstra efetividade até o momento.

  • Óleo de prímula:

Sem benefícios demonstrados.

  • Trevo vermelho:

Sem eficácia na redução de ondas de calor.

A associação de diferentes plantas também foi estudada.

Em um estudo italiano publicado em 2017 foi analisada a eficácia de um nutracêutico contendo equol, resveratrol, quercitina, passiflora, vitamina D, vitamina K, cálcio de magnésio. Demonstrou-se redução significativa nos sintomas globais e melhora na percepção de ondas de calor, que pode ser explicada pela ação semelhante ao estrogênio do equol.

O mesmo estudo demonstrou redução de sintomas vasomotores, além de benefícios nos sintomas neurológicos e psicológicos como insônia, fadiga e irritabilidade, provavelmente pela ação sinérgica da passiflora e do resveratrol.

Os estudos são promissores, mas ainda são necessárias mais evidências acerca da eficácia dos tratamentos alternativos para a menopausa e das doses e tempo de tratamento ideal.

Ficaremos de olho!

Ahsan M, Mallick AK. The Effect of Soy Isoflavones on the Menopause Rating Scale Scoring in Perimenopausal and Postmenopausal Women: A Pilot Study. Journal of Clinical and Diagnostic Research. 2017

Villa P, Amar ID, Bottoni C, Cipolla C, Dinoi G, Moruzzi MC, et al. The impact of combined nutraceutical supplementation on quality of life and metabolic changes during the menopausal transition: a pilot randomized trial. Arch Gynecol Obstet. 2017.

Ismail R, Taylor-Swanson L, Thomas A, Schnall JG, Cray L, Mitchell ES, et al. Effects of herbal preparations on symptom clusters during the menopausal transition. Climateric. 2015.

Dog TL. Menopause: a review of botanical dietary supplements. Am J Med. 2005.


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