• Sabrina Wertzner

Qual a relação entre beber álcool e disfunção cerebral?

Atualizado: 12 de Jul de 2019


Novos estudos vem sendo publicados com relação a ingestão moderada e excessiva de álcool e, ao contrário do que certas diretrizes recomendam, o álcool não parece trazer tantos benefícios assim ao nosso organismo...

Diretrizes da American Heart Association recomendam uma dose por dia para mulheres e entre uma a duas doses por dia para homens (uma dose é o equivalente a uma taça de vinho) - o equivalente à 14 a 21 doses por semana.

Já no Reino Unido, as diretrizes para o consumo de álcool foram recentemente modificadas para "baixo risco", o que significa a ingesta de até 1,5 dose para homens E mulheres por dia - o equivalente à até 14 doses por semana, devido ao acúmulo de evidências de que até mesmo o consumo leve aumenta o risco de doenças.

E quais são essas doenças que o consumo de álcool pode causar?

Evidências recentes indicam que o consumo moderado está associado a descobertas patológicas no cérebro, incluindo atrofia do hipocampo e declínio mais rápido nas medidas cognitivas de fluência lexical. Mesmo o leve consumo de álcool vem sendo associado ao risco de câncer.

Isso foi reafirmado por um novo estudo publicado em fevereiro deste ano, em que sugere que o consumo pesado de álcool é um importante fator de risco para todos os tipos de demência, mas particularmente demência de início precoce.

E não é que era um estudo simplão nãaao... foi um mega estudo de análise retrospectiva envolvendo nada menos que 30 milhões de pessoas na França! Os dados foram coletados em um período de 6 anos, em bancos de dados de hospitais da região.

Sua conclusão mostrou que indivíduos com histórico de transtornos relacionados ao abuso de álcool apresentaram um risco três vezes maior de demência e que mais da metade daqueles com demência de início precoce tinham histórico de problemas com álcool.

Segundo o autor do estudo, Michaël Schwarzinger, esses dados são um forte argumento para um menor consumo de álcool e que uma das melhores coisas que nós podemos fazer para a saúde do cérebro é, portanto, reduzir a ingestão de álcool.

Corroboram com esse grande estudo alguns outros de pequeno porte com foco em neuroimagem, que indicam uma relação danosa entre o uso de álcool e o volume da massa cinzenta cerebral.

Certamente faltam certos esclarecimentos (que circundeam a esfera das pessoas com transtornos por uso de álcool) como:

- Como estava a nutrição destas pessoas?

- Já havia sinais de isolamento social ou depressão?

Mas, tendo encaminhado parte do estudo, novas pesquisas sobre o consumo pesado de álcool virão para esclarecer completamente esta relação.

Por hora, acredito ser válida a nova orientação sobre o álcool no Reino Unido. E vocês, o que pensam sobre isso?

SCHWARZINGER, Michaël et al. Contribution of alcohol use disorders to the burden of dementia in France 2008–13: a nationwide retrospective cohort study. The Lancet Public Health, [s.l.], v. 3, n. 3, p.124-132, mar. 2018. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/s2468-2667(18)30022-7.

TOPIWALA, Anya et al. Moderate alcohol consumption as risk factor for adverse brain outcomes and cognitive decline: longitudinal cohort study. Bmj, [s.l.], p.2353-2357, 6 jun. 2017. BMJ. http://dx.doi.org/10.1136/bmj.j2353.

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