• Fernanda Ramos

Atualização: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018 – Parte 1


No começo desde ano a Sociedade Brasileira de Diabetes disponibilizou o documento com


a atualização das suas diretrizes para o biênio 2017-2018. É uma diretriz para profissionais da saúde, então fiz aqui um resumão simplificado em duas partes pra todo mundo entender sobre os cuidados não farmacológicos, novas tecnologias e alguns tópicos sobre temas mais específicos da alimentação (com todos os conflitos de interesse desta que vos escreve, apaixonada pela alimentação e suas possibilidades no tratamento em diversas doenças =P).

Pra começar, sempre é bom relembrar que o Diabetes é um importante e crescente problema de saúde pública em todos os países. Em 2015 a Federação Internacional de Diabetes (IDF) estimou que 8,8% da população mundial entre 20 e 79 anos de idade vivia com a doença.

O Diabetes Mellitus (DM) é um distúrbio metabólico caracterizado por hiperglicemia persistente devido a deficiência na produção de insulina ou na sua ação, ou nos dois mecanismos.

Para saber mais sobre esse tópico leia um outro texto feito aqui no Et Al sobre o impacto do Diabetes na qualidade de vida e economia de um país.

O aumento da prevalência do diabetes se dá por diversos fatores, como a rápida urbanização, a transição nutricional e epidemiológica, sedentarismo, excesso de peso, envelhecimento populacional e maior sobrevida dos indivíduos com diabetes.

1. RASTREAMENTO

O rastreamento para o diagnóstico precoce do DM deve ser feito em indivíduos acima de 45 anos ou em qualquer idade quando há excesso de peso, hipertensão arterial ou história familiar de DM tipo 2 (DM2).

Não há padronização sobre o intervalo de tempo ideal para cada rastreamento, sendo recomendados intervalos de 3 a 4 anos quando há baixo risco de desenvolvimento da doença e uma vez por ano para aqueles indivíduos pré-diabéticos ou com fatores de risco para o seu desenvolvimento.

Existe um questionário proposto pela ADA (Associação Americana de Diabetes), de 2017, para rastreamento dos indivíduos com risco aumentado para DM, facilitando, assim, as ações de prevenção.

Entre crianças e adolescentes, tem sido observado o aumento da incidência da doença em várias regiões do mundo, em idade próxima aos 13 anos. Sabe-se que a apresentação do DM2 neste grupo é mais severa, embora os motivos ainda sejam desconhecidos.

Neste grupo, o aparecimento do DM2 está associado frequentemente à síndrome metabólica, bem como história familiar de DM2, obesidade e presença de acantose nigricans (manifestação na pele indicadora de resistência à insulina, que consiste em hiperpigmentação de aspecto aveludado em regiões do pescoço, axilas e da região inguinal).

Não é recomendada a implantação de exames de rotina para o diagnóstico de DM2 em jovens, exceto na presença de obesidade associada a dois ou mais fatores de risco.

Para predizer a resistência à insulina, podem ser utilizadas medidas antropométricas, como a circunferência do pescoço (que também se correlaciona positivamente com excesso de peso e componentes da síndrome metabólica). A limitação é que não há padronização dos pontos de corte para tal.

2. PREVENÇÃO

Sobre prevenção, são consideradas intervenções medicamentosas quando necessárias (no caso de pré-diabetes, por exemplo) mas são protagonistas as intervenções não farmacológicas, que são as medidas de mudança de estilo de vida, como alimentação equilibrada e atividade física.

3. DIAGNÓSTICO

No diagnóstico são considerados os exames: glicemia em jejum de no mínimo 8h, teste oral de tolerância a glicose (TOTG) e hemoglobina glicada (HbA1c), com repetição dos exames alterados na ausência de sintomas inequívocos de hiperglicemia como poliúria, polidipsia, polifagia e emagrecimento.

Para gestantes, o valor considerado para o diagnóstico de DM gestacional é menor do que na população geral em qualquer fase da gestação (glicemia de jejum≥92mg/dL).


Fonte: SBD, 2018.

4. MONITORIZAÇÃO

Para o DM tipo 1, a monitorização diária da glicemia capilar (ponta do dedo) traz muitos benefícios por permitir o entendimento dos determinantes da glicemia com o consumo de alimentos ou prática de atividade física otimizando o padrão alimentar e a correção eficaz da hiperglicemia; e também por diminuir o risco de complicações como cetoacidose e hipoglicemia.

Para o DM2, existe pouca evidência sobre a quantidade necessária de testes glicêmicos para a monitorização.

Nos últimos anos tem sido cada vez mais utilizados outros métodos de monitorização da glicose, como a monitorização contínua de glicose (CGM), em que um dispositivo faz a leitura da glicose por um sensor a cada 5 minutos, o que é bastante útil para aquelas pessoas que tem hipoglicemia sem sintomas, já que é possível programar alarmes, ativados quando a glicemia atinge determinado limite.

Atualmente o exame padrão-ouro para avaliar o controle glicêmico é a hemoglobina glicada, visto que ela avalia as glicemias dos últimos 3 a 4 meses. Ela tem sido considerada um bom parâmetro para avaliar risco de complicações microvasculares, que aumenta com seus níveis acima do recomendado.

5. TRATAMENTO

O objetivo do tratamento é o bom controle glicêmico e diminuição, por consequência, dos riscos de complicações micro e macrovasculares.

Para tal, além da medicação, são essenciais as mudanças do estilo de vida, que são, infelizmente, as mudanças com maior resistência e baixa adesão na sua implementação, especialmente entre os jovens.

As mudanças de estilo de vida incluem alimentação e atividade física, que contribuem para a perda de peso quando necessária, em caso de obesidade.

A perda de peso recomendada é de 5 a 7% do peso inicial do tratamento e sua manutenção.

São recomendados também 150min/semana de atividade física aeróbica moderada, como caminhar rápido, por exemplo. Esse tempo deve ser distribuído em três etapas, pelo menos, com casa etapa durando mais que 10 minutos e menos de 75 minutos. Ai entra o acompanhamento do profissional de educação física qualificado, essencial na avaliação do tipo e características de exercício mais adequados e a individualização do cuidado.

O cuidado com os pés é importantíssimo para evitar feridas. O uso de tênis adequado, de palmilhas especiais se indicado e meias apropriadas sem costura interna são importantes para manter os pés confortáveis e secos, especialmente entre aqueles indivíduos com neuropatia diabética. Os pés devem ser examinados antes e depois dos exercícios, atentando para o surgimento de bolhas.

Para os atletas com diabetes é interessante o uso de bracelete de identificação, principalmente entre aqueles em uso de insulina ou em risco de hipoglicemia.

Na prática, a avaliação da efetividade do tratamento é avaliada pelos critérios de monitorização glicêmica.

A alimentação como tratamento para o diabetes fica pro próximo post! =)

Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018 / Organização José Egídio Paulo de Oliveira, Renan Magalhães Montenegro Junior, Sérgio Vencio. -- São Paulo : Editora Clannad, 2017.


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