• Sabrina Wertzner

Spirulina

Um resumo rapidinho:

  • A Spirulina tem sido cada vez mais usada e pesquisada pelas indústrias alimentícia, farmacêutica, cosmética e medicinal;

  • Rica em polisacarídeos, lipídeos, aminoácidos essenciais, ácidos graxos, vitaminas e minerais dietéticos, e especialmente alta densidade proteica (460 a 630 g∕kg de matéria seca): uso no combate a desnutrição energético-protéica em crianças, idosos e pacientes;

  • Ela possui propriedades antivirais, antimicrobianas, anticancerígenas, metaloprotetivas, antioxidantes, imunoestimulantes, hipolipidêmicas, hipoglicêmicas e antihipertensivas;

  • Promove o crescimento de bactérias ácido láticas probióticas e inibe o crescimento de certas bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, prevenindo a disbiose associada a doenças imunomediadas, inflamatórias, infecciosas e metabólicas.


Spirulina (Arthrospira platensis) é uma forma microscópica de cianobactéria (também chamada de bactéria azul-esverdeada) que pode ser consumida tanto por animais quanto por humanos.


Devido a suas propriedades antivirais e antimicrobianas, anticancerígenas, metaloprotetiva (protetora contra intoxicação por metais pesados como Cádmio, Chumbo, Ferro e Mercúrio), antioxidante e imunoestimulante, a spirulina tem chamado atenção nas últimas décadas por seu uso na agricultura, indústria alimentícia, farmacêutica, cosmética e medicinal.


A alga tem alto valor nutricional e é custo-efetiva: não requer terra fértil, tem alto poder de crescimento e requer menos água por kilograma do que proteínas de soja e milho. Por ser rica em polisacarídeos, lipídeos, aminoácidos essenciais, ácidos graxos, vitaminas e minerais dietéticos, e especialmente proteínas (460 a 630 g∕kg de matéria seca), a spirulina tem sido usada na alimentação animal e para prevenir a desnutrição energético-proteica em humanos.


Assim, a Spirulina tem sido usada para o tratamento de anemia e desnutrição em crianças, idosos e pacientes infectados com HIV, doença hepática gordurosa não alcoólica e DM2. Sugere-se que o consumo constante eleva os níveis de hemoglobina e pode auxiliar no ganho de peso – provavelmente associado ao conteúdo proteico. Adicionalmente, espécies de cianobactérias são famosas por suas altas concentrações de vitamina B12, o que pode incrementar a ingesta dietética de populações que ingerem poucas fontes dessa vitamina (por exemplo, vegetarianos e veganos).


A alga tem sido alvo de estudos na síndrome metabólica dada suas propriedades hipolipidêmicas, hipoglicêmicas e antihipertensivas. Estudos em ratos indicam o aumento da atividade da lipoproteína lipase e da secreção pancreática de insulina, levando ao aumento da capacidade antioxidante e à redução no colesterol total e triglicérides, além de redução da pressão sistólica e diastólica.


Um modelo experimental feito com ratos com colite e artrite demonstrou os efeitos antiinflamatórios da spirulina e redução do TNF-α, IL-1β e IL-6, concomitante à melhora dos marcadores de estresse oxidativo. Outro estudo, também em modelos animais, avaliou o uso de spirulina no edema de pata e concluiu que a alga é um remédio natural inofensivo para o tratamento de inflamação e dor. Inesperadamente, os resultados que a spirulina apresentou (efeito anti-inflamatório significativo, juntamente com o efeito analgésico periférico e central), sugerem uma base para o desenvolvimento de drogas alternativas aos opióides, que levam a náuseas e vômitos.


A Spirulina também tem sido estudada por sua promoção no crescimento de bactérias ácido láticas probióticas (Lactococcus lactis, Streptococcus thermophilus, Lactobacillus casei, Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus bulgaricus e Bifidobacterium), o que melhoraria a qualidade dos produtos láticos fermentados, fazendo também a suplementação com Spirulina uma estratégia alternativa para as formulações de simbióticos.


Mais e mais estudos indicam que a Spirulina e seus subprodutos são capazes de inibir o crescimento de bactérias Gram-negativas (como E. coli, Pseudomonas aeruginosa e P. vulgaris) e Gram-positivas (como Staphylococcus aureus, Bacillus subtilis, e Bacillus pumulis), podendo ser auxiliar no tratamento de doenças infecciosas e mais eficazes que os probióticos isolados na prevenção da disbiose associada a doenças imunomediadas, inflamatórias e metabólicas.


De acordo com a FDA, a spirulina é considerada segura e não envolve riscos sérios para a saúde humana, ainda que casos isolados de insônia, problemas gástricos, hepatotoxicidade e outros foram relatados. Para qualquer que seja o contexto, o consumo deve ser com cautela e surgindo qualquer reação incomum deve-se correr para o atendimento médico.


Lembrando que a Spirulina não subtitui medicamentos de uso regular e, ao optar por adicionar essa linha de terapia, deve ser feita com acompanhamento médico.

FINAMORE, Alberto et al. Antioxidant, Immunomodulating, and Microbial-Modulating Activities of the Sustainable and Ecofriendly Spirulina. Oxid Med Cell Longev. Rome, p. 1-14. 15 jan. 2017.


ABU-TAWEEL, Gasem Mohammad et al. Spirulina consumption effectively reduces anti-inflammatory and pain related infectious diseases. Journal Of Infection And Public Health. p. 777-782. dez. 2019.

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