• Sabrina Wertzner

Um risco que pode estar em suas mãos

Quem não sente satisfação em ter as unhas bem feitas?


Desde que o mundo desenvolveu a consciência da beleza, as unhas tornaram-se um alvo que não para de crescer:

O esmalte foi originado na Índia, a partir da hena, durante a Idade do Bronze. O polimento desenvolveu-se e atingiu as antigas civilizações chinesas que passaram a produzir esmaltes com claras de ovos, flores, cera, e acabamento em ouro e pedras preciosas, especialmente para membros da realeza. Os antigos egípcios usavam barro e hena. A diferenciação de cores era essencial: vermelho para royalties e pastéis para as classes mais baixas.


Os esmaltes e suas variadas composições nunca sairam de moda, mas foi apenas em 1920 que o verniz moderno foi formulado a partir da nitrocelulose, um explosivo adaptado para produzir um filme brilhante, então chamado de verniz. Em 1957, um dentista chamado Frederick Slack inventou extensões de unhas usando acrílico dental que requer a luz ultravioleta para ser endurecido e curado.


Cá entre nós: é uma delícia fazer a unha e não se preocupar em esbarrar em algo ou sentar toda a semana para refazê-la.

Essa é a promessa do esmalte gel.


Porém, assim como toda a promessa, há o lado positivo e o lado negativo.


O processo de secamento do esmalte gel com a luz ultravioleta A (UVA) tem sido pesquisado por ter uma possível associação com danos e envelhecimento celulares.


Pesquisas sugerem que raios UVA possam ser ainda mais mutagênicos que raios UVB. Enquanto o UVA penetra bem na derme, quase todo UVB é absorvido na epiderme, com apenas uma pequena porção atingindo a derme. A radiação UVA induz, predominantemente, o estresse oxidativo e formação de radicais livres, enquanto a radiação UVB, confere danos diretos ao DNA.

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Já foram registrados dois casos de carcinomas de células escamosas no dorso da mão associados à exposição frequente a raios UVA pelo processo de fazer as unhas frequentemente.


Como evitar esse risco, então?


Ainda que o número de casos seja pequeno, há um alerta crescente ao uso frequente e inseguro deste processo, sendo indicado pela Fundação de Câncer de Pele e pesquisadores ao redor do mundo que seja utilizado protetor solar nas mãos ou luvas com proteção UVA/UVB durante o uso do aparelho.


Vale ressaltar também a importância do uso de óculos de proteção contra a luz ultravioleta.


Atualmente, não há qualquer regulação que controle a venda do equipamento, sua radiação, frequência e onda de luz, ou período seguro de uso, o que pode, supostamente, desencadear danos à saúde. Portanto, sugere-se que os clientes sejam conscientes e cobrem dos estabelecimentos equipamentos de segurança, inclusive que os aparelhos de curação do gel sejam de LED com menor tempo de exposição, ao inves de bulbos fluorecentes.



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