‘’Mal não faz’’


Aquela velha frase de vó que se refere aos queridinhos das gôndolas de livre acesso nas farmácias: os suplementos vitamínicos e/ou minerais.

Não há estimativas exatas do consumo de suplementos vitamínicos e/ou minerais no Brasil, mas dados do relatório Mintel de Produtos Farmacêuticos e do relatório da Euromonitor International de Saúde sobre o consumo de vitaminas e minerais indicam que o segmento tem crescido nos últimos anos, com uma pequena queda devido à crise financeira. Apenas em 2014, as receitas de vendas no varejo tiveram um crescimento de 12% em relação ao ano anterior, e espera-se uma taxa de crescimento de 3% ao ano, estimando-se um faturamento de R$ 5,5 bilhões em 2021.

Mas será mesmo que há necessidade desse consumo desenfreado, ou que apenas não ‘’faz mal’’ consumí-los – como diziam nossas avós?

Coletei dados que pudessem clarear essa questão.

Uma revisão sistemática de 2012 (Marik & Flemmer, 2012) identificou e analisou estudos randomizados controlados que avaliavam os benefícios e segurança de suplementos dietéticos em populações ocidentais. Estudos com populações desnutridas, pediátricas e gestantes foram excluídos. Como resultado, os pesquisadores averiguaram que, com exceção da vitamina D (especificamente em idosos) e dos ácidos graxos ômega 3 (ω3) (especificamente em pacientes com doença cardiovascular), não existem evidências para sustentar o uso generalizado de suplementos vitamínicos e minerais em populações ocidentais. Na verdade, os dados indicam que certos suplementos vulgarmente utilizados como o β-caroteno, a vitamina A e a vitamina E podem ser prejudiciais, podendo levar até mesmo no aumento da mortalidade. No caso da vitamina D, o estudo indicou uma redução no risco de quedas, fraturas osteoporóticas, e risco de câncer em pessoas idosas, enquanto a suplementação de cálcio por si só aumentou o risco de infarto. No caso da suplementação de ω3, aparenta-se ser eficaz na redução de angina, IAM e morte por doença cardiovascular em pacientes com histórico destes.

Por fim, o estudo evidencia a falta de indícios que justifiquem a utilização desenfreada de suplementos vitamínicos e minerais, e ainda salienta que esses suplementos deveriam ser submetidos às normas regulamentares dos medicamentos.

Assim sendo, como consta em sua definição pela ANVISA: ‘’suplementos vitamínicos e ou de minerais são alimentos que servem para contemplar com estes nutrientes a dieta diária de uma pessoa saudável, em casos onde sua ingestão a partir da alimentação, seja insuficiente ou quando a dieta requerer suplementação’’ - já que a carência de nutrientes pode levar ao desenvolvimento de doenças. Ou seja, em geral, não há necessidade de se fazer suplementação quando se tem uma dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

Caso tenha dúvidas sobre sua alimentação e adequação de micronutrientes, procure um nutricionista ou um médico de sua confiança para esclarecê-las.

Marik, P. E., & Flemmer, M. (2012). Do Dietary Supplements Have Beneficial Health Effects in Industrialized Nations? What Is the Evidence? Response to Letter From Mister and Hathcock. Journal of Parenteral and Enteral Nutrition, 36(3), 266–266. https://doi.org/10.1177/0148607112444132

BRASIL. ANVISA. Conceitos e definições: Suplementos Vitamínicos e/ou Minerais. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/conceitos-e-definicoes3>. Acesso em: 17 out. 2016.

MINTEL GROUP LTD. Produtos Farmacêuticos - Brasil - Janeiro 2016. Disponível em: <http://store.mintel.com/produtos-farmaceuticos-brasil-janeiro-2016?cookie_test=true>. Acesso em: 15 out. 2015.

EUROMONITOR INTERNATIONAL. Vitamins and Dietary Supplements in Brazil. 2016. Disponível em: <http://www.euromonitor.com/vitamins-and-dietary-supplements-in-brazil/report>. Acesso em: 15 out. 2016.

Cultura E Tal:

The Baker's Wife (1938)

O filme é baseado em um livro de Jean Giono, um doce conto pastoral, sobre um padeiro que fica pertur-bado quando sua esposa o deixa.

O padeiro então passa-se a recusar a fornecer pão à aldeia até ela voltar para ele.