A alimentação pode melhorar os sintomas da TPM?

A Tensão Pré Menstrual (TPM) é uma síndrome que se caracteriza por sintomas físicos e comportamentais e afeta o cotidiano de cerca de 8 a 20% de mulheres em idade reprodutiva e, consequentemente, suas qualidades de vida.

Os sintomas mais comuns são sensibilidade nos seios, desconforto abdominal, alterações

de apetite, irritabilidade, dificuldade de concentração, depressão e ansiedade. Estes ocorrem durante a fase lútea do ciclo menstrual e a fisiopatologia, ainda não elucidada, provavelmente envolve os múltiplos sistemas afetados pela ciclicidade hormonal.

Entre as opções de tratamento farmacológico estão contraceptivos orais, hormônios e antidepressivos, que podem ter efeitos colaterais e tem eficácia relativamente baixa.

Dessa forma tem se buscado identificar fatores de risco modificáveis para prevenir o desenvolvimento da síndrome pré menstrual, como a alimentação, a prática de atividade física e ajuste do tempo de sono, especialmente no período pré-menstrual.

Na alimentação algumas medidas são empregadas, como:

  • Aumento do consumo de carboidratos complexos

Por serem ricos em triptofano, um aminoácido precursor de serotonina, que regula, entre outras coisas, o humor, o sono e o apetite.

  • Consumo de alimentos fontes de minerais

Não se sabe ainda se a ingestão de ferro, magnésio, zinco, cobre, manganês, potássio e sódio contribuem para o desenvolvimento da síndrome pré menstrual.

Já foi observado que entre as mulheres que tem a síndrome, os níveis séricos de zinco e magnésio sanguíneos mostram-se mais baixos.

Por outro lado alcançar os níveis de minerais para o tratamento da TPM é difícil só por fontes alimentares, sendo necessária a suplementação destes.

  • Redução do consumo de gordura

A recomendação vem da sugestão de que na etiologia da TPM está inflamação crônica e alterações hormonais e que as gorduras da alimentação podem afetar os níveis de hormônios e de citocinas (envolvidas na inflamação).

  • Redução do consumo de bebidas com cafeína

Recomendada para a redução de sintomas como irritabilidade, sensibilidade nos seios e fadiga.

O Nurses Health Study, um estudo prospectivo feito desde 1989 com mulheres estadunidenses, que respondem a um questionário periodicamente, tentou encontrar alguns resultados para essas questões.

Para minerais, em um estudo publicado em 2013, foi encontrado que maior consumo de ferro não heme, encontrado em fontes vegetais como verduras verde escuras e grãos, foi associado com menor risco de TPM. O ferro participa da conversão de triptofano em serotonina.

Encontrou-se ainda evidência de que o alto consumo de zinco se associou com menor risco de TPM.

Estudos adicionais são necessários para determinar se a suplementação de minerais é benéfica na prevenção e tratamento da TPM e quais são os efeitos prejudiciais.

Para gordura, numa outra análise, publicada em 2017, não foi encontrada associação entre o consumo total de gordura e o risco de desenvolvimento de TPM.

No entanto, encontrou-se que o alto consumo de ácido esteárico, um tipo de gordura saturada, esteve associado a redução de risco de TPM, comparado a mulheres que o consumiam pouco.

E adivinha qual é uma das principais fontes desse ácido? Isso mesmo, CHOCOLATE!

Também são fontes as carnes vermelhas e queijos.

O desejo de chocolate nesta fase do ciclo menstrual pode ajudar no alivio dos sintomas, mas não explica completamente a relação entre ácido esteárico e redução de risco de desenvolvimento de TPM.

Não está claro se as mulheres sintomáticas consomem alimentos com maior teor de gordura devido às alterações de apetite a fim de aliviar os sintomas ou se as ingestões mais altas de gordura são fisiologicamente envolvidas no desenvolvimento de sintomas pré-menstruais.

Para cafeína, em estudo publicado pelo mesmo grupo em 2016, não foram encontradas evidências que sugiram que o consumo de cafeína está associado a aumento de sintomas específicos da TPM como sensibilidade nos seios, irritabilidade e fadiga, mesmo entre as mulheres com alto consumo diário de café.

Então, a alimentação pode ajudar a melhorar os sintomas? Provavelmente, mas precisamos de mais tempo para determinar isso com mais clareza.

Ryu A, Kim TH. Premenstrual syndrome: a mini review. Mauritas. 2015.

Chocano-Bedoya PO, Manson JE, Hankinson SE, Johnson SR, Chasan-Taber L, Ronnenberg AG, et al. Intake of Selected Minerals and Risk of Premenstrual Syndrome. Am J Epidemiol. 2013;177(10):1118–1127

Houghton SC, Manson JE, Whitcomb BW, Hankinson SE, Troy LM, Bigelow C, Bertone-Johnson ER. Intake of dietary fat and fat subtypes and risk of premenstrual syndrome in the Nurses’ Health Study II. British Journal of Nutrition. 2017.

Purdue-Smithe AC, Manson JE, Hankinson SE,Bertone-Johnson ER. A prospective study of caffeine and coffee intake and premenstrual syndrome. Am J Clin Nutr 2016;104:499–507.

Cultura E Tal:

The Baker's Wife (1938)

O filme é baseado em um livro de Jean Giono, um doce conto pastoral, sobre um padeiro que fica pertur-bado quando sua esposa o deixa.

O padeiro então passa-se a recusar a fornecer pão à aldeia até ela voltar para ele.